CRM imobiliário: guia para escolher sem se arrepender
Em resumo
Um CRM imobiliário reúne contatos, conversas, imóveis e próximos passos em um lugar só. Para escolher bem, descreva antes como um cliente entra e avança na sua imobiliária, compare os sistemas nesse caminho e teste as tarefas do dia a dia com a própria equipe antes de assinar.
Por Equipe TrueimobPublicado em Atualizado em 7 min de leitura
Neste artigo
Escolher um CRM costuma começar pelo lado errado: uma lista de funcionalidades, uma planilha de preços e a sensação de que todos fazem a mesma coisa. Meses depois, a equipe voltou para a planilha e o WhatsApp, e a mensalidade continua vindo.
Este guia começa pelo outro lado. Primeiro o que a sua imobiliária precisa resolver; depois o que comparar; por fim, como testar. Vale para a imobiliária com equipe e para o corretor que trabalha sozinho.
O que é um CRM imobiliário
CRM é o sistema em que a empresa registra o relacionamento com cada cliente: quem é, de onde veio, o que procura, o que já foi conversado e qual é o próximo passo.
O CRM imobiliário faz isso com as peças do nosso mercado: o imóvel de interesse ligado ao cliente, os contatos que chegam dos portais e dos anúncios, a visita na agenda, o funil de venda ou de locação, a distribuição entre corretores.
Ele não é a mesma coisa que um sistema de administração de aluguéis, que cuida de boletos, repasses e contratos. Alguns produtos fazem as duas coisas; muitos fazem só uma. Saber de qual você precisa evita metade dos arrependimentos.
Sinais de que a planilha não dá mais conta
Um cliente escreve e ninguém sabe dizer se ele já foi atendido antes.
O corretor saiu da empresa e os contatos dele foram junto.
Você paga anúncio e portal, mas não sabe quantos contatos cada um trouxe.
Dois corretores atenderam a mesma pessoa.
A visita foi feita e ninguém voltou a falar com o cliente.
Para saber como anda o mês, você precisa perguntar a cada pessoa.
Se dois ou três desses acontecem toda semana, o problema já não é disciplina. É falta de um lugar comum.
Antes de comparar, escreva o seu processo
Pegue uma folha e responda, do jeito que acontece hoje:
Por onde os clientes chegam. Portais, anúncios, site, WhatsApp, indicação, placa.
Quem recebe o primeiro contato. Uma pessoa fixa, quem estiver de plantão, cada corretor no próprio celular.
Como o cliente vai para um corretor. Por ordem, por região, por tipo de imóvel, por quem viu primeiro.
O que acontece depois da primeira conversa. Envio de opções, visita, proposta, e quem lembra de retomar.
Onde a informação se perde. É aqui que o sistema precisa ajudar primeiro.
Com essa folha na mão, a demonstração deixa de ser um desfile de telas. Você pede para ver o seu caminho funcionando.
Os nove pontos para comparar
1. Atendimento pelo WhatsApp
É onde a maior parte das conversas acontece. Veja se o atendimento fica dentro do sistema, com a equipe no mesmo número, ou se o sistema só abre o WhatsApp do celular. Pergunte se usa a API oficial do WhatsApp e quem paga as mensagens.
2. Entrada dos contatos
O contato do portal, do formulário do anúncio e do site precisa cair no sistema sozinho, já com a origem marcada. Cada origem que depende de alguém copiar e colar é uma origem em que contatos se perdem.
3. Funil
Etapas que você consiga mudar, visão em quadro, e a possibilidade de ter mais de um funil, por exemplo um para venda e outro para locação.
4. Distribuição entre corretores
Se a imobiliária tem equipe, veja como o contato novo chega a cada corretor: se há rodízio, se o corretor precisa aceitar, o que acontece quando ele não aceita a tempo.
5. Imóveis e portais
Cadastro de imóveis com fotos e dados do proprietário, ligação do imóvel com o cliente interessado e publicação nos portais em que você anuncia. Confirme quais portais, com o nome de cada um.
6. Celular
A rotina do corretor acontece na rua. Abra o sistema no celular durante o teste e faça o básico: achar um cliente, anotar uma conversa, marcar a próxima tarefa.
7. Relatórios
O gestor precisa responder três perguntas sem pedir print a ninguém: de onde vêm os contatos, em que etapa estão e o que cada corretor tem em aberto.
8. Preço e limites
Compare o que está dentro da mensalidade: número de usuários, de contatos e de imóveis. Pergunte o que acontece quando você passa do limite e se os recursos mudam de um plano para outro.
9. Suporte e saída
Como é o atendimento quando algo dá errado, e como você tira os seus dados de lá se resolver sair. Sistema que dificulta a exportação está dizendo algo sobre a relação.
Perguntas para a demonstração
Pode me mostrar um contato chegando de um portal e sendo atendido, do começo ao fim?
Onde eu vejo tudo o que já foi conversado com um cliente?
O que acontece com os contatos de um corretor que sai da equipe?
Consigo exportar meus contatos e imóveis em planilha?
O que vocês não fazem? (A resposta honesta a essa pergunta vale mais que a lista de funcionalidades.)
O que está em desenvolvimento não conta: o que já funciona hoje?
Como testar antes de assinar
Lista de funcionalidade não mostra se a equipe vai usar. O teste mostra. Use o período de teste para fazer, com dados de verdade, as tarefas que se repetem todos os dias:
Cadastre cinco clientes reais e ligue cada um a um imóvel.
Registre uma conversa e marque a próxima tarefa.
Mova um cliente de etapa no funil.
Peça a um corretor da equipe que faça o mesmo, sem explicação. Observe onde ele trava.
No fim, tente responder: quantos contatos entraram, de onde, e o que está parado.
Se essas tarefas forem confusas no teste, serão abandonadas na rotina.
Quanto custa de verdade
A mensalidade é uma parte. Some também:
Usuários a mais. O preço por pessoa quando a equipe crescer.
Mensagens do WhatsApp oficial. A Meta cobra por mensagem entregue, à parte do sistema. Pergunte ao fornecedor se ele acrescenta alguma taxa própria por mensagem. A conta está explicada no guia do WhatsApp oficial para imobiliária.
Implantação e migração. Alguns fornecedores cobram para importar seus dados ou treinar a equipe.
O tempo da equipe. Um sistema difícil custa horas todos os meses, mesmo sendo barato.
Erros comuns na escolha
Escolher pelo maior número de funções. Você paga pelo que usa. Funções que ninguém abre só deixam a tela mais difícil.
Decidir sem a equipe. Quem vai alimentar o sistema é o corretor. Se ele não vê vantagem para si, não registra.
Ignorar o WhatsApp. Se o atendimento continua fora do sistema, o histórico continua fora também, e o CRM vira um cadastro que ninguém consulta.
Não perguntar pela saída. Trocar de sistema um dia é normal. O problema é descobrir, nesse dia, que os dados não saem.
Esperar que o sistema crie o processo. O CRM organiza um processo que existe. Se a imobiliária não combinou quem atende e quem retoma, o sistema só vai mostrar a bagunça com mais clareza.
Perguntas frequentes
CRM imobiliário gratuito vale a pena?
Para começar a organizar contatos, pode valer. Olhe os limites: número de contatos, de usuários e o que fica de fora, como a integração com portais e o WhatsApp. Um teste grátis de um sistema pago é outra coisa: você conhece o produto inteiro por alguns dias e decide.
Corretor autônomo precisa de CRM?
Precisa de um lugar para não perder contato nem esquecer retorno. Para quem trabalha sozinho, o que mais importa é o registro rápido pelo celular, as tarefas com lembrete e a ligação entre cliente e imóvel.
Posso usar um CRM comum, que não é imobiliário?
Pode, mas vai adaptar. Faltam o cadastro de imóveis, a ligação do cliente com o imóvel e a entrada de contatos dos portais. Em geral a adaptação custa mais tempo do que a diferença de preço.
Dá para trocar de CRM depois?
Dá. O cuidado maior é com os imóveis que já estão anunciados nos portais e com o histórico de conversas. Antes de assinar com qualquer sistema, pergunte como é a entrada dos seus dados e como seria a saída.
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